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Polícia e políticos do Rio sob suspeita

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O Rio de Janeiro está em xeque. As declarações do ministro da Justiça, Torquato Jardim, em entrevista ao portal UOL, de que o comando da Polícia Militar do Estado faz acerto com deputado estadual e o crime organizado causaram grande polêmica. O ministro foi ainda mais longe ao afirmar que comandantes de batalhão são sócios do crime organizado.
Torquato Jardim foi enfático ao dizer que a milícia está tomando conta do narcotráfico e que o governador Luiz Fernando Pezão e o secretário de Segurança Pública, Roberto Sá, não controlam a PM. Segundo o ministro, políticos e policiais estão envolvidos com a criminalidade.
As declarações geraram fortes reações das autoridades de segurança do Rio, mas a bem da verdade é que ninguém conseguiu convencer a população de que o ministro estava errado. O secretário Roberto Sá, por exemplo, disse ter ficado surpreso e indignado e pediu que o ministro apresentasse provas do envolvimento de policiais e políticos com o crime.
É fato que a acusação é muito grave e coloca todos os mais de 50 mil policiais do Rio sob suspeita. Mas, também é fato que o Rio vive uma situação de calamidade pública quando o assunto é segurança. Mais de 100 policiais militares já foram assassinados somente este ano no Estado, entre eles o coronel Luiz Gustavo Teixeira, comandante de um batalhão da PM no Méier. Sobre esse caso, inclusive, Torquato Jardim afirmou que não foi um assalto, e que ninguém o convence de que, na verdade, o crime não foi um acerto de contas.
Em nota, o governador Luiz Fernando Pezão rebateu as acusações de Torquato Jardim e disse que o ministro da Justiça nunca o procurou para tratar dos assuntos abordados na entrevista. O problema do Rio não é somente falta de diálogo.
O Estado está nesta situação porque há muitos anos vem sendo mal administrado. Vejam o caso do ex-governador Sérgio Cabral, preso por envolvimento na Operação Lava Jato. Detido na cadeia pública José Frederico Marques, em Benfica, na Zona Norte do Rio, ele seria transferido para um presídio federal em Mato Grosso do Sul sob a acusação de que teria ameaçado o juiz Marcelo Bretas ao receber informações de forma indevida dentro do presídio.
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, no entanto, suspendeu a transferência e, no mesmo dia, veio a notícia de que a cadeia onde Cabral está preso, em Benfica, ganhou uma sala de cinema com TV de 65 polegadas, home theater, aparelho de DVD e 160 filmes.
Como a repercussão foi muito negativa, a Secretaria de Administração Penitenciária do Rio afirmou que vai retirar todo o material de vídeo da sala de cinema. Informou ainda que o material foi doado por duas igrejas. O problema é que representantes da cadeia negaram que tenham feito as doações e, então, começou o jogo de empurra.
Sem fazer qualquer juízo de valor, esse tipo de notícia ajuda a explicar muita coisa. É por essas e outras, que o Rio de Janeiro está nesta situação.

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