
O Ipiranga continua revelando fragmentos de um passado recente que teima em permanecer na paisagem do bairro. Depois dos orelhões localizados na Rua Clóvis Bueno de Azevedo e na esquina da Rua General Lecor com a Silva Bueno, outro aparelho foi identificado pelos moradores na esquina da Rua Lima e Silva com a Rua Silva Bueno.
O equipamento, porém, não está em funcionamento, servindo hoje apenas como lembrança de um tempo em que conversar dependia de fichas, cartões e da sorte de encontrar um telefone público livre. Mesmo inativo, o orelhão segue chamando atenção de quem passa, seja pela nostalgia que desperta, seja pela raridade de sua presença em meio à paisagem urbana dominada pelos celulares.
A identificação desses pontos tem contado com a colaboração de leitores e frequentadores do bairro, que vêm enviando informações sobre onde ainda há cabines e telefones públicos no Ipiranga. As contribuições ajudam a mapear um pedaço da memória coletiva da cidade — um patrimônio cotidiano que, pouco a pouco, desaparece das calçadas.
Assim como o bairro guarda marcos da história nacional, os orelhões sobreviventes lembram o tempo em que as conversas aconteciam na rua, e a comunicação era compartilhada, feita à vista de todos. Mesmo silenciosos, esses aparelhos continuam fazendo parte da identidade do Ipiranga e despertam um olhar de afeto sobre as transformações da vida urbana.
Os leitores que desejarem contribuir podem continuar enviando informações sobre outros orelhões espalhados pelo Ipiranga. Fotos, endereços e relatos ajudam a manter viva a memória desses equipamentos e permitem acompanhar quais cabines ainda seguem de pé.




