Ipiranguista rejeita retirada de 400 mil obras de artes do Museu

O anúncio de que a direção do Museu do Ipiranga pretende retirar 400 mil obras de artes do Museu e levá-las para o Campus da Universidade de São Paulo, deixou, por enquanto, 96% dos ipiranguistas descontentes e até mesmo indignados com a decisão da entidade, segundo pesquisa realizada no site do Ipiranga News. A alegação da diretoria é de que o prédio do Museu não tem espaço para o número de obras que recebe e recebeu ao longo dos seus 130 e de que este acervo não pode permanecer por tempo indeterminado nos imóveis alugados em que estão hoje.
A possível transferência dos cerca de 400 mil itens do acervo de reserva do Museu do Ipiranga para fora do bairro tem preocupado a comunidade local. O Museu estuda construir um anexo de 20 mil metros quadrados para abrigar esse material no bairro, mas, caso não encontre terreno adequado no Ipiranga, a alternativa será levar o acervo para a Cidade Universitária.
Essa necessidade já era prevista há 19 anos quando foi elaborado um estudo de um projeto para a construção de um anexo onde hoje funciona o Corpo de Bombeiros, na avenida Nazaré, exatamente nos fundos do Museu. O projeto foi aprovado por todos os órgãos envolvidos na área cultural, patrimonial e de tombamento, mas já foi descartado. O atual diretor do Museu, Paulo César Garcez Marins, alega que a desapropriação do Corpo de Bombeiros iria causar um problema para a corporação, e que o espaço ali também é limitado.
O Ipiranga News consultou 16 imobiliárias no bairro e nenhuma delas recebeu qualquer comunicado da direção do Museu do Ipiranga a respeito do interesse em comprar um terreno para construir um anexo do Museu.
Para a auxiliar administrativo Beatriz Almeida, de 24 anos, a construção do novo espaço precisa acontecer no Ipiranga e ela ainda sugere que seja aberto ao público. “É tão difícil termos lugares assim em São Paulo. Se fosse acessível, seria um ótimo ponto turístico, além de valorizar o bairro. E precisa ser um lugar bem grande, que mostre a importância do Museu e do acervo que ele guarda”, afirma.
O aposentado Eurico Vicente da Silva Filho, de 88 anos, visita o Parque da Independência frequentemente e não esconde a preocupação. “Só de pensar que esse acervo pode ir pra tão longe a gente já imagina as dificuldades para o transporte e para as pesquisas. O ideal é permanecer aqui, junto do Museu, que é a casa natural desse patrimônio”, disse.
Já o conselheiro do CADES-Ipiranga, Milton Novais, ressalta que o bairro deve assumir a responsabilidade de proteger sua história. “Temos que zelar pelo nosso patrimônio. São 400 mil obras de arte que fazem parte da memória de São Paulo e do Brasil. Elas devem ficar aqui, no Ipiranga. Não concordo com a possibilidade de elas saírem daqui de perto. Isso seria uma perda irreparável”, destacou.
As opiniões dos frequentadores refletem a preocupação da comunidade em preservar a ligação histórica e cultural do Museu com o bairro. Para eles, a saída das reservas técnicas significaria não apenas uma perda logística, mas também simbólica, afastando do Ipiranga parte fundamental de sua identidade.



