
“A paz é de todos ou não é de ninguém”. A frase, constantemente entoada pelas lideranças do Movimento Sol da Paz, ecoou fortemente pelas ruas de Heliópolis durante a 27ª Caminhada pela Paz, realizada na sexta-feira, 4. Em cortejo pelas principais vias da maior favela de São Paulo, a passeata reuniu integrantes dos projetos sociais da UNAS, de equipamentos públicos e de organizações sociais que constroem, dia após dia, a vida comunitária local.
Neste ano, o grito coletivo veio em forma de pergunta urgente: “Se tudo passa pela educação, por que a educação está sendo massacrada?”. Um chamado à reflexão e um pedido por resistência diante do desmonte da educação em Heliópolis – somado à urgente reivindicação por políticas públicas educacionais de qualidade, voltadas às crianças e juventudes que constroem o futuro do território.
A caminhada reuniu centenas de pessoas e teve início na EMEF Campos Salles, ganhando força a cada passo pelas ruas de Heliópolis. O trajeto percorreu a Rua da Mina, Estrada das Lágrimas, Rua Coronel Silva Castro e Avenida Delamare – ruas que, pouco a pouco, se encheram de vozes, faixas, fantasias, adereços e batuques. A força da mobilização chamou a atenção de quem passava, transformando o cotidiano em ato de resistência coletiva.
Destaques da caminhada
Entre as faixas e cartazes, destacam-se aquelas que expressavam a oposição da população à privatização e ao desmonte da educação em Heliópolis. Para João Miranda, liderança comunitária e ex-diretor da UNAS, a caminhada é uma oportunidade para os mais jovens desfilarem e mostrarem o que produziram ao longo dos meses, refletindo sobre a luta por mais direitos dentro da favela.
“A Caminhada pela Paz e o conceito de Bairro Educador têm tudo a ver. A caminhada reúne e dá sentido aos trabalhos das crianças, é como um grupo de teatro de rua que luta pelo bairro e pelas pessoas da comunidade”, diz.
Direito à educação de qualidade
A 27ª Caminhada pela Paz de Heliópolis teve como proposta reivindicar mais políticas públicas de qualidade para as crianças e os jovens do território. Além disso, reacendeu o debate sobre as propostas de privatização e o desmonte da educação pública – uma preocupação intensificada após o afastamento da diretora da EMEF Campos Salles e de outros 24 diretores de escolas públicas da cidade de São Paulo.
A Caminhada pela Paz surgiu como um grito da comunidade por um basta à violência, após o assassinato da jovem Leonarda Soares Alves, de 15 anos, vítima de feminicídio. Esse termo, aliás, só passou a ser reconhecido oficialmente no Brasil a partir de 2015.




