DestaqueMatéria de Capa

Meu amigo Luiz, até breve

Conheci o Luiz Antonio de Paula às 23:30hs de uma segunda-feira, em 1979, na redação do Diário Popular. Era o meu primeiro dia como repórter no jornal e naquela noite eu iria substituir o Luiz, cujo plantão terminaria à meia noite. Gentil e paciente, mas de um profissionalismo exemplar, me passou a rotina do trabalho, destacando a importância de ficar atento ao noticiário das agências internacionais e ao plantão do Corpo de Bombeiros, Polícia Civil e Militar. Nunca esqueci de sua observação: “São Paulo é uma cidade com 2 milhões de pessoas trabalhando e vivendo à noite e tudo pode acontecer”. 

Irmão, primos e parentes a gente tem. Amigo, a gente escolhe. E naquela noite eu e o Luiz, sem perceber, estávamos nos escolhendo como amigos. Uma amizade que se estendeu à nossa família e que durou 47 anos até a partida de meu melhor amigo, e sócio por 28 anos. Neste 15 de abril de 2026, Luiz nos deixou depois de lutar bravamente contra um AVC.

A partir daquele encontro na redação do Diário Popular, fomos construindo uma forte, sincera, leal e verdadeira amizade. Uma amizade que se estendeu aos nossos familiares, no Paraná, onde ele nasceu e para onde me levou várias vezes, e em Recife, cidade onde nasci e ele foi comigo conhecer o Carnaval, a cultura e a gastronomia pernambucana, e para onde voltou algumas vezes com Neli, sua esposa, Valéria, sua irmã, e o simpático Derlei, seu cunhado. Antes disso, Luiz, que fazia aniversário no dia 5 de fevereiro, certo dia me disse; vou te revelar algo que você nunca vai esquecer; vou casar dia 8 de fevereiro, dia do teu aniversário. 

Mas foi pela afinidade profissional que nos encontramos. Meses depois do nosso encontro naquela madrugada de segunda-feira na redação do Diário Popular, Luiz foi promovido a editor. Um ano depois, eu trabalhava além do Diário Popular, na Folha Metropolitana e na Rádio Globo. Certa noite, numa conversa no extinto Bar Mutamba, próximo ao Diário Popular, Luiz se mostrou preocupado com meu ritmo de trabalho e me sondou para uma vaga que havia surgido de sub editor. “O salário cobre 2 dos seus três empregos, mas vamos estar mais próximos e você terá melhor qualidade de vida e projeção profissional”. Aceitei o convite.

Tempos depois, Luiz Antônio passou a ser editor-chefe do jornal, que já havia sido comprado pelo governador Orestes Quércia, e eu fui promovido a secretário de redação. Juntos, trabalhamos por 17 anos conduzindo uma redação formada por jovens jornalistas, todos atuando com garra, determinação, liberdade de expressão e um único compromisso: levar ao leitor informação de qualidade. 

Com isso, ganhamos a confiança do paulistano e na década de 90 chegamos a vender 150 mil jornais diariamente nas bancas. Assim, ganhamos o título de “Rei das Bancas”.

Três ou quatro anos depois, Quércia vendeu o jornal para a Globo, que tinha muito interesse em ter um canal de comunicação na cidade. Luiz ficou alguns meses com os Marinho. Eu saí um ano depois e juntos fundamos o Ipiranga News, o Jabaquara News e o Expresso News, três jornais voltados ao fiel compromisso com a comunidade local, mostrando que o bom jornalismo se faz com responsabilidade, liberdade de expressão e um olhar voltado aos interesses da sociedade.

Luiz Antonio parte, mas deixa um grande legado profissional, uma sobrinha jornalista e o estímulo profissional aos meus dois filhos, que hoje também são jornalistas. 

Ao meu amigo Luiz Antônio de Paula, um até breve. 

Mauro Ramos

Artigos relacionados

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Verifique também
Fechar
Botão Voltar ao topo