CAY suspende venda de destilados dentro do clube

O centenário Clube Atlético Ypiranga (CAY) decidiu suspender a venda de destilados em seus restaurantes e lanchonetes, ainda que esses estabelecimentos sejam terceirizados. A medida segue recomendação do Sindicato dos Clubes do Estado de São Paulo (Sindi Clubes) e tem como objetivo proteger os associados e preservar a reputação da instituição. Com isso, bebidas como gim, vodca, uísque e cachaça deixam de ser comercializadas no clube por tempo indeterminado.
Fernando Oberle, presidente do CAY, disse que a decisão de suspender a venda de destilados nas lanchonetes e restaurantes do Clube foi tomada assim que recebeu a recomendação do Sindi Clube. “A situação é delicada. A medida foi tomada de forma preventiva. Temos a responsabilidade de garantir a segurança dos nossos associados, por essa razão vamos manter a suspensão da comercialização de destilados até que haja medidas seguras, garantindo que não existe risco no consumo”, disse Oberle.
A decisão ocorre em meio ao aumento dos casos de intoxicação por metanol em bebidas alcoólicas adulteradas, que já provocaram cinco mortes confirmadas, sete internações e outros 15 casos sob investigação. “Essa decisão visa proteger tanto os consumidores quanto a reputação de nossos clubes, demonstrando cuidado e responsabilidade”, afirmou o sindicato, ao recomendar a suspensão até que haja clareza sobre a origem do problema e definição de protocolos seguros.
Além do CAY, outros clubes importantes também adotaram a mesma medida, como Esporte Clube Sírio, Hebraica, Clube Alto dos Pinheiros, Paineiras do Morumby, Palmeiras, Alphaville Tênis Clube e Clube de Campo de Mogi das Cruzes.
No bairro do Ipiranga, a crise já trouxe consequências diretas. O advogado Marcelo Lombardi, de 45 anos, proprietário de uma imobiliária no Sacomã, morreu no último domingo em um hospital de São Bernardo do Campo após ingerir bebida contaminada. O caso reforçou o alerta das autoridades de saúde e segurança pública.
De acordo com o governo paulista, mais de 50 mil garrafas adulteradas foram apreendidas em bares e adegas da capital e da região metropolitana. Somente na Mooca, a Polícia Civil encontrou 17 garrafas de vodca suspeitas no Bar e Restaurante Torres, próximo ao Parque da Mooca, que foi interditado temporariamente.
No Planalto Paulista, uma operação em um minimercado resultou na apreensão de mais de 40 garrafas de uísque, gim e vodca, além da interdição do local. O representante do estabelecimento prestou esclarecimentos na delegacia.
O metanol, diferente do etanol presente nas bebidas comuns, é usado na fabricação de combustíveis, solventes e plásticos. Incolor e com cheiro semelhante ao do álcool de consumo, pode facilmente enganar o consumidor quando envasado em garrafas de marcas famosas reaproveitadas, com rótulos falsificados. Sua ingestão pode causar cegueira, falência de órgãos e até a morte.




