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CAY faz 120 anos e é um dos maiores clubes do Brasil 

Fundado em 10 de julho de 1906, o Clube Atlético Ypiranga (CAY), comemora nesta sexta-feira, 120 anos de atividade e integra um seleto grupo de clubes brasileiros com mais de 100 anos, sendo assim, considerado um dos maiores clubes sociais do Brasil, com seu quadro de associados e dependentes chegando perto de 10  pessoas.

Tradicional clube de São Paulo, hoje o CAY é um clube poliesportivo voltado para a atividade social, mas sua origem é o futebol, pois foi fundado por comerciantes apaixonados por futebol e ligados à antiga Casa Lebre, localizada na rua Direita, no centro de São Paulo.  Atualmente  o CAY conta com várias atividades esportivas sendo o futebol de salão o esporte mais próximo de sua origem.

Ao longo de sua história o CAY teve um papel fundamental no futebol brasileiro. Ele, inclusive, é um dos fundadores da Federação Paulista de Futebol, além de ter revelado grandes nomes do esporte como Barbosa, goleiro da seleção brasileira e o atacante Arthur Friedenreich, artilheiro do Campeonato Paulista em 1914 e 1917. Considerado a época um celeiro de craques revelou ou teve no elenco jogadores como Rubens Minelli, Mário Travaglini, Valdemar Carabina, Homero, Belmiro, Dema e Liminha, entre outros.

Apesar disso, nunca ganhou um título no campeonato paulista , conquistando os vice-campeonatos estaduais em 1913, 1935 e 1936 e o torneio paulista em 1948 e 1950. Mas em 1958, após um empate por 3 x 3 com o Jabaquara, sua diretoria decidiu encerrar as atividades do esporte profissional. A partir dessa data o CAY se voltou para atividades sociais e esporte amador.

A partida que culminou com o fim do futebol profissional no CAY aconteceu em 14 de dezembro e o resultado provocou a queda do time para a segunda divisão do Campeonato Paulista. No dia seguinte, o Departamento de  Futebol foi desativado.  A decisão foi um trauma para os torcedores e, em particular, para os ipiranguistas, .

Passados 68 anos depois do fim do Futebol profissional, o CAY hoje oferece aos seus sócios 

variadas atividades. Tem academia, basquete, bocha, futebol, futsal, futvôlei, 

ginástica, judô, karatê, natação, hidroginástica, patinação artística, sinuca, squach, tênis, vôlei, yoga, ballet, dança, violão, biblioteca, espaço criança, espaço mulher, espaço teen, e também promove festas variadas, bailes, festas juninas entre outras atividades. Suas piscinas são adoradas pelos sócios. Apesar disso, o conselheiro e presidente do Tribunal de Contas (TCM) de São Paulo, Domingos Dissei, lamenta o fato do clube ter abandonado a  realização de festa para crianças carentes da região. “Era uma tradição. No mês de outubro o clube reunia mais de mil crianças de escolas públicas da região. Lá elas passavam o dia usando toda estrutura do CAY,  participando de várias atividades, com apoio do comércio e entidades que doavam brinquedos e lanche para todos. A Prefeitura, inclusive, cedia ônibus para buscar e levar as crianças às escolas. Uma pena até porque essa atividade era realizada numa segunda-feira, quando o clube permanece fechado para os associados. Ou seja, não havia qualquer impacto nas atividades sociais do CAY e prejuízo para seus associados. Fico triste com isso”, sentencia. 

O “nascimento” do CAY ocorreu dia 10 de julho de 1906 com o propósito de formar um time. O encontro foi na casa do presidente da empresa, Feliciano de Mello Filho, e resultou na fundação da Sociedade Esportiva Recreativa Ypiranga. As partidas eram realizadas na Várzea do Glicério e, por medida de segurança, as traves eram retiradas após o apito final. Não demorou para a agremiação se filiar à Liga Paulista de Futebol, levando os jogos para um campo ao lado do Parque Antártica.

O nome  Clube Atlético Ypiranga foi criado em 1932 por iniciativa de Frederico Jafet. Ele efetuou a fusão do Independência, clube que presidia, com o Siléx e adotou o nome CAY. Carlos Paetá, José Minelli (pai de Rubens Minelli, ponta esquerda e depois treinador vitorioso), Natal Saliba e Gilberto Viviane Ferraiolo implantaram o futebol amador e, ao mesmo tempo, tinham a missão de garimpar talentos na região. Foi assim que surgiram no clube Rubens Minelli e os zagueiros Mário Travaglini, Waldemar Carabina entre outros.

Com Carlos Jafet na presidência, o CAY alcançou o 3º lugar no estadual em 1940. Foi também em 1940 que o CAY se transferiu para o Sacomã, montando a estrutura no local em que hoje funcionam o Terminal Rodoviário e o Metrô Sacomã. A época à família Samarone, tinha um espaço no local e acabou  alugando para o CAY.

Entre 1948 e 1950, o CAY montou o time considerado por muitos como o melhor da história do clube. A equipe tinha Osvaldo, Giancoli, Homero, Belmiro, Reinaldo, Dema, Liminha, Rubens, Silas, Bibi e Walter. A situação financeira era precária e todos os atletas bateram asas para os rivais. 

Os recursos eram exíguos, mas até 1953 o CAY fez várias tentativas na esperança de adquirir o terreno no Sacomã. A gleba foi encampada pelo município e o então prefeito, Jânio Quadros, teria se comprometido a pensar com carinho na proposta do CAY, mas na hora H recuou. Argumentou que a missão de um governante era construir escolas, não ajudar clubes de futebol. O ex-atleta e ex-presidente Ângelo Antonio Milanesi e Jânio se encontraram na sala da diretoria do CAY, o presidente do CAY irritado jogou um tinteiro no rosto de Jânio.

A decadência parecia incontornável e, ainda em 1953, parte da história do CAY foi levada para a chácara da família Fongaro, onde hoje é o Jardim Fongaro. A luz no final do túnel surgiu com Sérgio Lazzareschi. Ele cedeu ao Vovô da Colina uma sala no CDR São José e, pouco depois, foram alugadas duas salas em cima do recém-inaugurado Cine Anchieta, na rua Silva Bueno, 2.404. As despesas eram bancadas por 118 abnegados sócios, que se tornaram lendas no CAY.

Mário Teles sucedeu Jerônimo Maury na presidência do CAY e, junto com os 118 homens de ouro, começa a recuperar as finanças da agremiação. A família Jafet também foi importante na compra da sede própria do CAY, em 1956, na rua Xavier Curado, sem ônus ao futebol. Se não bastasse, os Jafet negociaram o terreno que possuíam na rua do Manifesto, em 1960, quando começou a ser construído o que é atualmente um dos maiores clubes da Capital.

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